...querem matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem...

9.12.2006

Uma história baseada em fatos reais

Hoje, no ônibus, voltando para casa após o trabalho. Dou o sinal e me levanto, esperando o veículo parar. Olho para o lado e uma mulher, certamente com menos de trinta anos, faz um sinal com as mãos. Tiro o fone de ouvido para escutá-la:
- Você desce neste ponto? – pergunta a moça.
- Sim
O ônibus pára no ponto. As portas automáticas se abrem e eu desço. A mulher, logo atrás de mim, faz o mesmo. Na calçada, ela volta a falar:
- Posso te perguntar uma coisa?
- Sim
- Você vai achar estranho, mas, se eu te der meu e-mail, podemos ser amigos.
Consternado, fiquei em silêncio por uns dez segundos.
- Bem, na verdade não. Me desculpe.
- Mas, por quê?
- Não faço amigos assim.

Advertência

Para qualquer efeito, declaro que este blog não existe (assim como deuspaitodopoderoso).

Almanaque do Pensamento - 2

“Se Deus realmente existisse, ele teria inventado algo mais prático que os dentes. Ter que escová-los todos os dias refuta totalmente a teoria do design inteligente”

9.10.2006

Yes, nós temos bananas

Um paulistano típico espero o ônibus no Parque Dom Pedro II em uma manhã de inverno

Não sei se é coisa exclusiva dos paulistanos. O que sei é que aqui as pessoas levam realmente a sério esse negócio de querer ser parecido com os europeus e americanos. E depois ainda falam mal dos argentinos.
Basta a temperatura baixar um pouquinho (não precisa nem ser muito, 15º C já esta bom) para os homens da classe média sairem por aí desfilando com sobretudos iguaizinhos ao do agente Fox Mulder do Arquivo X. Já as mulheres, não raro, gostam de se vestir com peças que sejam ou pareçam ser feitas de pele de algum animal que viva do lado de cima do Equador.
E para onde vão os viventes paramentados dessa forma? Vão tomar um vinhozinho ou então comer um fondue. Isto quando não pegam seus carros e sobem a serra até Campos do Jordão, a Suíça Tupiniquim. Fico imaginando o que os europeus que os nossos amigos tanto admiram achariam de uma cidade que, apesar de ficar entre o Trópico de Capricórnio e a linha do Equador, tem casas com aqueles telhadinhos enxaimel, como se estivessem nos alpes e precisassem aguentar terríveis nevascas.
"Isto é babaquice de gente velha e de e novos ricos", pode estar pensando o caríssimo e eventual leitor destas linhas.
Mas não se engane. Há entre a nova geração das terras paulistanas uma tribo cujos membros não perdem em nada ao pessoal do casaco Fox Mulder.
Para começar, se vestem como se fossem jovens londrinos. Os cabelos normalmente são adornados com franjinhas, tanto nos homens quanto nas mulheres. A espécie, que é facilmente encontrada em faculdades de jornalismo e redações de revistas e jornais, tem seu habitat original em clubinhos e bares animados com roque and roll.
Basta conversar alguns segundos com um deles para que ele despeje todo o conhecimento adquirido sobre música em revistas estrangeiras como se fossem idéias de sua própria cabeça. Eles sabem os nomes dos integrantes e o estilo de todas as bandas que surgiram no último ano no subúrbio de uma obscura cidade que fica a 100 quilômetros de Manchester.Acima de tudo, o que os une é um ódio profundo a qualquer música que tenha um pandeirinho maroto ao fundo ou um acordezinho de um cavaquinho. Banda brasileira, para eles, tem que parecer o menos brasileira possível.
O mais engraçado é que tanto o pessoal da franjinha quanto o pessoal do casaco estão certos de que tem muita coisa em comum com pessoal lá do Norte e que o fato de terem nascido nesta terra inzoneira foi apenas um acidente que deve ser lamentado.
Talvez o único lugar onde a ficha desta turma possa cair é na fila para pegar visto no consulado americano.

9.09.2006

Almanaque do Pensamento - 1

"Bons tempos em que qualquer bêbado carioca era um boêmio-quase-intelectual"

É a economia, estúpido

O velho Marx se revira no túmulo



Outro dia, sentado em uma mesa de bar, uma amiga comentou que tal cara era “plano de carreira”. Como assim plano de carreira? entreolhamo-nos os homens da mesa. Ela então foi rápida em explicar que este havia sido um conceito elaborado por ela e outra pesquisadora do mundo masculino para classificar aquele tipo de homem que é carinhoso, atencioso, tem um bom emprego (ou provavelmente vai tê-lo assim que sair da faculdade), é bonito e se veste bem (não usa só tênis all star, ela explicou, provavelmente querendo atingir grande parte de seus convivas de mesa, confessos admiradores e consumidores da marca de calçados).
Logo começou uma séria e intrincada discussão sobre todas as implicações teológicas, econômicas e morais do novo conceito sociológico desenvolvido pela dupla. A moça logo quis (tentar) deixar claro que não há nem um traço machista na categoria criada, mas que toda mulher que se preze (ou preze por si mesma), logo vislumbra um futuro de muito anos (com cercas brancas, crianças louras e doriana no café da manhã) assim que se depara pela primeira vez com um rapaz do tipo “plano de carreira”. Há outros, continuou a amiga, que são apenas bonitos e atraentes, servem para casos rápidos, mas que provavelmente não vão conseguir ganhar dinheiro o bastante (ou não terão saco suficiente) para comprar a doriana das crianças.
Logo, um amigo economista, leitor, admirador e entusiasta das teorias do velho Marx, entendeu a sacada: todo homem tem um valor de uso e um valor de troca, assim como qualquer quinquilharia que se encontra nas lojinhas da rua 25 de março. Como assim!?, pergunta-se você.
Atente, leitor, para a sábia demonstração deste intrincado teorema: ora, como qualquer mercadoria, o homem tem um valor de uso, ou seja o valor atribuído à sua utilização mais imediata (no caso, se você ainda não tiver se dado conta, estamos tratando de uso afetivo e sexual, apenas). Neste quesito, imagino, ganham aqueles que forem fisicamente mais atraentes. Assim, um surfista louro, de olhos azuis, forte, e bronzeado, tem um alto valor de uso para as mulheres.
Enquanto para os economistas o valor de troca pode ser entendido como a valoração atribuída a um produto a partir do trabalho investido em sua produção, no caso da nova teoria sócio-sentimental de minha amiga, o valor de troca de um membro do sexo masculino seria a quantidade de trabalho que ele pouparia de sua companheira no futuro. Começou a ficar complicado, não é? Vamos ao exemplo: um cara que é classificado como “plano de carreira” deve dar, no futuro, uma vida mais estável e segura à garota, e, por isso, tem um valor de troca mais elevado. Já um cara sarado, bonito, mas que seja um completo imbecil, tem um valor de uso alto, mas um valor de troca baixo.
Deu pra entender? Pois é, também fiquei preocupado com o futuro da humanidade.

9.08.2006

Vai, vai, vai começar a brincadeira

...querem matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem...