...querem matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem...

9.10.2006

Yes, nós temos bananas

Um paulistano típico espero o ônibus no Parque Dom Pedro II em uma manhã de inverno

Não sei se é coisa exclusiva dos paulistanos. O que sei é que aqui as pessoas levam realmente a sério esse negócio de querer ser parecido com os europeus e americanos. E depois ainda falam mal dos argentinos.
Basta a temperatura baixar um pouquinho (não precisa nem ser muito, 15º C já esta bom) para os homens da classe média sairem por aí desfilando com sobretudos iguaizinhos ao do agente Fox Mulder do Arquivo X. Já as mulheres, não raro, gostam de se vestir com peças que sejam ou pareçam ser feitas de pele de algum animal que viva do lado de cima do Equador.
E para onde vão os viventes paramentados dessa forma? Vão tomar um vinhozinho ou então comer um fondue. Isto quando não pegam seus carros e sobem a serra até Campos do Jordão, a Suíça Tupiniquim. Fico imaginando o que os europeus que os nossos amigos tanto admiram achariam de uma cidade que, apesar de ficar entre o Trópico de Capricórnio e a linha do Equador, tem casas com aqueles telhadinhos enxaimel, como se estivessem nos alpes e precisassem aguentar terríveis nevascas.
"Isto é babaquice de gente velha e de e novos ricos", pode estar pensando o caríssimo e eventual leitor destas linhas.
Mas não se engane. Há entre a nova geração das terras paulistanas uma tribo cujos membros não perdem em nada ao pessoal do casaco Fox Mulder.
Para começar, se vestem como se fossem jovens londrinos. Os cabelos normalmente são adornados com franjinhas, tanto nos homens quanto nas mulheres. A espécie, que é facilmente encontrada em faculdades de jornalismo e redações de revistas e jornais, tem seu habitat original em clubinhos e bares animados com roque and roll.
Basta conversar alguns segundos com um deles para que ele despeje todo o conhecimento adquirido sobre música em revistas estrangeiras como se fossem idéias de sua própria cabeça. Eles sabem os nomes dos integrantes e o estilo de todas as bandas que surgiram no último ano no subúrbio de uma obscura cidade que fica a 100 quilômetros de Manchester.Acima de tudo, o que os une é um ódio profundo a qualquer música que tenha um pandeirinho maroto ao fundo ou um acordezinho de um cavaquinho. Banda brasileira, para eles, tem que parecer o menos brasileira possível.
O mais engraçado é que tanto o pessoal da franjinha quanto o pessoal do casaco estão certos de que tem muita coisa em comum com pessoal lá do Norte e que o fato de terem nascido nesta terra inzoneira foi apenas um acidente que deve ser lamentado.
Talvez o único lugar onde a ficha desta turma possa cair é na fila para pegar visto no consulado americano.