...querem matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem...

9.09.2006

É a economia, estúpido

O velho Marx se revira no túmulo



Outro dia, sentado em uma mesa de bar, uma amiga comentou que tal cara era “plano de carreira”. Como assim plano de carreira? entreolhamo-nos os homens da mesa. Ela então foi rápida em explicar que este havia sido um conceito elaborado por ela e outra pesquisadora do mundo masculino para classificar aquele tipo de homem que é carinhoso, atencioso, tem um bom emprego (ou provavelmente vai tê-lo assim que sair da faculdade), é bonito e se veste bem (não usa só tênis all star, ela explicou, provavelmente querendo atingir grande parte de seus convivas de mesa, confessos admiradores e consumidores da marca de calçados).
Logo começou uma séria e intrincada discussão sobre todas as implicações teológicas, econômicas e morais do novo conceito sociológico desenvolvido pela dupla. A moça logo quis (tentar) deixar claro que não há nem um traço machista na categoria criada, mas que toda mulher que se preze (ou preze por si mesma), logo vislumbra um futuro de muito anos (com cercas brancas, crianças louras e doriana no café da manhã) assim que se depara pela primeira vez com um rapaz do tipo “plano de carreira”. Há outros, continuou a amiga, que são apenas bonitos e atraentes, servem para casos rápidos, mas que provavelmente não vão conseguir ganhar dinheiro o bastante (ou não terão saco suficiente) para comprar a doriana das crianças.
Logo, um amigo economista, leitor, admirador e entusiasta das teorias do velho Marx, entendeu a sacada: todo homem tem um valor de uso e um valor de troca, assim como qualquer quinquilharia que se encontra nas lojinhas da rua 25 de março. Como assim!?, pergunta-se você.
Atente, leitor, para a sábia demonstração deste intrincado teorema: ora, como qualquer mercadoria, o homem tem um valor de uso, ou seja o valor atribuído à sua utilização mais imediata (no caso, se você ainda não tiver se dado conta, estamos tratando de uso afetivo e sexual, apenas). Neste quesito, imagino, ganham aqueles que forem fisicamente mais atraentes. Assim, um surfista louro, de olhos azuis, forte, e bronzeado, tem um alto valor de uso para as mulheres.
Enquanto para os economistas o valor de troca pode ser entendido como a valoração atribuída a um produto a partir do trabalho investido em sua produção, no caso da nova teoria sócio-sentimental de minha amiga, o valor de troca de um membro do sexo masculino seria a quantidade de trabalho que ele pouparia de sua companheira no futuro. Começou a ficar complicado, não é? Vamos ao exemplo: um cara que é classificado como “plano de carreira” deve dar, no futuro, uma vida mais estável e segura à garota, e, por isso, tem um valor de troca mais elevado. Já um cara sarado, bonito, mas que seja um completo imbecil, tem um valor de uso alto, mas um valor de troca baixo.
Deu pra entender? Pois é, também fiquei preocupado com o futuro da humanidade.