...querem matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem...

5.29.2008

Almanaque do Pensamento

Se há um grande problema que a internet trouxe pra humanidade é a possibilidade de qualquer um escrever o que quiser, sem censura ou editor. Êta mundo besta

9.11.2007

Agora sim

Genial.
http://www.revistapiaui.com.br/artigo.aspx?id=268

9.10.2007

DO FINAL DO TEMPOS

Era de manhã cedo, lá pelas 9h, quando um garoto do 4º ano entrou na sala de aula. Foi até o professor e cochichou algo em seu ouvido. Sem se levantar de uma sisuda mesa de mogno escuro, o professor Marchi, que até então havia discutido a questão da propriedade horizontal no direito romano, nos deu a notícia: “Parece que um boeing atingiu o World Trade Center, em Nova York”.
O caso foi que ele não parece ter ficado muito impressionado, pois logo depois que o garoto do 4º ano saiu da sala, continuou a aula normalmente, como se a discussão sobre a propriedade horizontal no direito romano ainda tivesse alguma relevância. Eu e os outros 120 alunos da sala também não ficamos muito impressionados e continuamos a não prestar atenção às palavras do Marchi.
O sinal do intervalo bateu lá pelas 10h e eu, como sempre fazia, decidi descer até o Centro Acadêmico para comer um salgado gorduroso recheado com catupiri e espinafre (mistura que eu então considerava equilibrada e saudável). Seguimos eu e meu colega Carlos, um grande admirador das idéias políticas e do estilo de vida de Winston Churchill, até a rua Riachuelo, onde ficava o porão que funcionava como C.A. da Faculdade de Direito.
Diferente do costume daquele horário, o lugar estava abarrotado de gente. Todos olhando para uma televisão afixada na parede. Perguntamos para uma menina o que tinha acontecido exatamente. Ela explicou: “Jogaram dois aviões contra o World Trade Center. Um carro bomba explodiu o Pentágono e parece que aconteceu alguma coisa com a Casa Branca”.
Eu e o Carlos nunca tínhamos ouvido falar de Osama Bin Laden, e imaginávamos que os Estados Unidos começariam a partir daquele momento o que chamamos de ‘holocausto nuclear’ (a expressão era bombástica e guardava toda a seriedade que o momento pedia). Sem opções, a não ser esperar o vento radiativo das bombas americanas derreter nossa pele, resolvemos observar o final dos tempos tomando cerveja na lanchonete de um chinês próxima à Praça da Sé.
Quando chegamos lá, a televisão estava desligada. Tentamos convencer o dono do boteco a ligar o aparelho, argumentando que estávamos vivendo um momento histórico. Ele pareceu não entender, pois serviu a cerveja, se virou e continuou lavando a louça.

1.28.2007

A quem interessar possa

Me lembrei de uns poemas que fiz faz uns dois ou três anos. Na verdade, poema é um nome pomposo, mas vai assim mesmo:

Sem título

Prometi a mim mesmo
viver só de café
cigarros,
segredos.
Não dá.
(segredos viciam e causam insônia)


Lamentações de um jovem byroniano perdido nos trópicos oitocentistas

O cheiro do feijão na cozinha
spleen
só com algum esforço
a cachaça não cheira a vinho
nem onde há fog há fogo

1.27.2007

Da ressurreição

Todo mundo sabia que ele não passava de um louco. Desde que fez 17 anos contava que ouvia vozes esquisitas, cantos de pássaros e trombetas de anjos no meio da aula. Ninguém levava a sério. Ele sempre fora esquisito.
Com o tempo, seus pais começaram a se preocupar. Mais de uma vez foi internado, mas nada o convencia de não era um escolhido de deus.
Insistia que já havia andado pelas águas daquele rio poluído, que numa festa em que todos estavam bêbados havia transformado água em cachaça e que havia conseguido levitar dentro do banheiro da faculdade.
Ninguém nunca havia presenciado nada disso. Na verdade, ninguém levava a sério.
Saiu da faculdade, desistiu do Jornalismo. Naquele ponto ninguém mais agüentava suas pregações no metrô e nos corredores. Seus amigos se afastaram e ele se tornou motivo de piada até mesmo entre os professores.
Saiu pelo mundo. Dizia que realizava prodígios. Ninguém nunca tinha visto nada.
Alguns hippies que mendigavam na Av. Paulista se encantaram com sua figura barbuda e largaram tudo para segui-lo. Nunca presenciaram nenhum milagre, mas não se importavam.
Com o tempo criou fama. Ia aos programas de televisão falar da nova boa nova cujos princípios se encontravam no livro que estava escrevendo. Pedia contribuições em dinheiro para a publicação. Ninguém deu.
Um dia, num desses programas, encontrou um antigo colega de faculdade. Reconheceu-o e, diante das câmeras, disse que haviam sido bons amigos na juventude. O jornalista, transtornado e preocupado com sua reputação, negou por três vezes. Todo mundo levou a sério.
Uma de suas andanças o levou a uma tradicional faculdade de Direito, reconhecida pelo catolicismo de seus alunos. Enquanto falava, todos riam, puxavam suas barbas e cuspiam em sua cara. Quem se importaria?
Ao final da visita, os estudantes vieram lhe dizer que haviam preparado uma surpresa. Algemaram-no e o levaram para o meio do pátio. Haviam montado uma cruz.
Os hippies disseram que ele ressuscitou depois de uma semana.

10.17.2006

Amanhã

é engraçado como sempre deixo para amanhã a atualização deste blog. Um dia o o amanhã chega. Ou não.

10.02.2006

Macunaímico

Ai, que preguiça